02/09/2026

Fim da escala 6×1 combate “feudalismo” moderno e acaba com crueldade contra trabalhadores, defende Zenaide em votação histórica no Senado

Para Zenaide, aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 representa decisão histórica do Parlamento brasileiro em favor dos trabalhadores. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.

Defensora histórica dos direitos da classe trabalhadora do Rio Grande do Norte e de todo o país, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) ocupou a primeira fileira da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira (02), para defender de forma incisiva a aprovação do fim da escala de trabalho de seis dias por semana, a chamada escala 6×1.

Durante sua intervenção, a parlamentar classificou o modelo atual como um “feudalismo” moderno e destacou o impacto “desumano e cruel” da jornada exaustiva sobre pais e mães que sustentam as famílias brasileiras, além crianças e idosos que precisam de cuidados. Ela criticou a oposição ao texto, resgatando o precedente em que previsões catastrofistas de desemprego em massa não se confirmaram após a ampliação de direitos trabalhistas.

“Tem algo aqui em comum, que todos pensam de forma igual: a escala 6×1 é cruel, desumana com mães, pais e com crianças e idosos que precisam de cuidados. O fim da escala 6×1 é uma decisão histórica para o Parlamento Brasileiro e vem na esteira dos avanços como a PEC das domésticas”, afirmou a senadora, manifestando seu posicionamento ao dar entrevista coletiva à imprensa nacional durante a votação da CCJ (veja abaixo).

A proposta de emenda constitucional (PEC 221/2019), apoiada fortemente pelos trabalhadores, já passou na Câmara dos Deputados, tem apoio do governo federal e está agora em votação decisiva no Senado – se passar na CCJ, segue para votação final no plenário principal da Casa.

Zenaide chamou atenção, especialmente, para a dura realidade enfrentada por milhões de mulheres no país, utilizando como exemplo a estatística de mães solos.

“Vamos para a vida como ela é. São 10,3 milhões de mães solos neste país, mães que saem de casa às 5h, 6h da manhã e chegam 10h da noite. Essa é a realidade. Isso chega quase a ser… Isso é um feudalismo”, declarou.

Direitos sociais

A parlamentar também rebateu os argumentos contrários à mudança na jornada, traçando um paralelo com debates econômicos anteriores que geraram temor infundado no setor produtivo. Na avaliação da senadora, a maioria dos empresários possui um olhar diferenciado e compreende que a base da riqueza é a força de trabalho.

Nesse sentido, a parlamentar também relembrou não ter se confirmado o temor recorrente da iniciativa privada ante avanços sociais e trabalhistas semelhantes, como a PEC das domésticas (que garantiu carteira de trabalho assinada e outros direitos para empregadas e empregados domésticos), porque não houve a redução de emprego propalada. Para a senadora potiguar, modelo atual sobrecarrega mães e pais e não representa ameaça à economia, a exemplo do que ocorreu com a PEC das Domésticas.

“Lembram-se da PEC das empregadas domésticas? Também ia deixar todos desempregados. Eu tenho certeza de que a maioria dos empresários têm esse olhar diferenciado, porque eles sabem que o que gera riqueza é o trabalho. Até para você ser um empresário rico, você precisa botar trabalhadores. Então, o fim da escala 6×1 é a maior decisão política deste Parlamento Brasileiro”, salientou Zenaide.

Para a senadora potiguar, o posicionamento contrário à extinção do modelo atende apenas a interesses restritos em detrimento da maioria da população. Ao reiterar seu voto favorável o fim da escala 6×1, Zenaide concluiu: “Quando é para se defender quem gera emprego e renda ou os trabalhadores brasileiros, é difícil o jogo de forças. É como o relator da PEC, senador Omar Aziz, falou: a defesa é só dos empresários, e os trabalhadores que se deem mal. Sou a favor, sim, de extinguir essa escala 6×1, desumana demais para se admitir”.

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