10/06/2026

Zenaide desmascara cultura do Estado mínimo: “É fácil atacar programa social quando nunca se precisou do SUS nem faltou comida em casa”

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Médica do serviço público por 30 anos e relatora de leis de políticas públicas de saúde e assistência social, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) foi à tribuna do Senado, na sessão desta terça-feira (09), criticar a cultura liberal do Estado mínimo, corrente de pensamento econômico que defende menor intervenção do Estado (poder público) na economia e menos prioridade para políticas públicas.

“É muito fácil defender Estado mínimo quando nunca se precisou depender do Sistema Único de Saúde (SUS). É muito fácil atacar programa social quando nunca faltou comida dentro de casa. Agora, perguntem à mãe que passa a noite numa UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com o filho doente no colo se ela quer um Estado mínimo, ou seja, com menos médicos, menos enfermeiros para atendê-lo?”, frisou a parlamentar.

No pronunciamento no Plenário, Zenaide argumentou que o orçamento público é indispensável para garantir ações e investimentos públicos indispensáveis nas áreas de saúde, educação, segurança pública e assistência social. Na visão dela, setores privilegiados que pregam o “Estado mínimo” não hesitam em recorrer à ajuda governamental quando passam por dificuldades financeiras.

“Neste país vivemos à mercê de uma modalidade exótica: o ‘capitalismo estatal’. O grande capital quer o Estado mínimo quando se trata de usar os impostos para investir no social e em políticas públicas, mas, quando é para ser salvo, é o Estado brasileiro que salva o banqueiro. Conheço a angústia de quem espera um exame, uma cirurgia ou um leito hospitalar e talvez por isso eu tenha tanta dificuldade em aceitar que tentem transformar a presença do Estado onde o povo mais precisa em problema econômico”, salientou.

A discussão sobre o tamanho do Estado, segundo Zenaide, deve levar em conta a realidade de milhões de brasileiros que dependem das ações governamentais. Ela reiterou que a Constituição Federal de 1988, que tirou o Brasil de 21 anos de ditadura, fez uma escolha muito clara: a de que cidadania não pode ser privilégio de poucos. Nesse sentido, Zenaide assinalou que o Estado brasileiro tem que ser do tamanho do seu povo.

“Por isso nós temos o SUS, por isso nós temos universidade pública, por isso o Estado tem a obrigação de investir na educação básica, em segurança pública, em assistência social, em infraestrutura, em saneamento, em obras estruturantes que integrem o país e levem desenvolvimento às regiões mais pobres. Tudo isso são garantias de cidadania. Nós estamos falando de um país continental, profundamente desigual, marcado por diferenças regionais, sociais e econômicas muito duras”, criticou a senadora.

 

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