27/11/2024

Zenaide relatora: Senado aprova e envia à Câmara 5% de empregos em contratos da União para mulheres vítimas de violência

Geraldo Magela/Agência Senado

O Senado Federal aprovou e enviará à Câmara dos Deputados o projeto de lei (PL) 3.595/2019, relatado pela senadora Zenaide Maia (PSD-RN), que reserva pelo menos 5% das vagas de emprego, nas empresas que prestam serviços ao governo federal, para mulheres vítimas de violência doméstica ou em situação de vulnerabilidade social.

“Vamos salvar vidas. Vamos tirar a vítima da dependência financeira do agressor. Este projeto de lei tem impacto imediato na realidade das mulheres brasileiras, porque oferece emprego, condições de trabalho e sustento para as vítimas de violência denunciarem o agressor e não precisarem mais conviver com ele sob o mesmo teto”, afirma Zenaide.

A reserva de 5% valerá para contratos com a administração direta, autarquias e fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu a votação nesta quarta-feira (27) em turno suplementar previsto no rito da Casa – a matéria já havia passado por uma primeira votação em setembro. A proposição segue à Câmara dos Deputados, se não houver recurso para a votação no Plenário.

“Isso significa obrigar o Estado brasileiro a contribuir com a independência financeira da mulher no longo prazo, ajudando-a a se afastar em definitivo de seu agressor. Como médica em hospital público, atendi muitas mulheres gravemente feridas pelo companheiro e precisando de sutura, mas que se recusavam a denunciá-lo por não terem teto para onde ir com os filhos. Eu sempre ouvia esta resposta de mulheres desesperadas: ‘Doutora Zenaide, se eu denunciar e voltar para casa, ele me mata’”, frisa a parlamentar.

Oportunidade de recomeço

Procuradora Especial da Mulher no Senado, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa e médica, Zenaide ressalta que a administração pública federal tem centenas de grandes contratos com empresas terceirizadas, todos com renovação frequente, podendo, portanto, promover a inclusão das mulheres que mais precisam dessas vagas de trabalho – seja para ter uma renda e recomeçar a vida longe das agressões do marido ou companheiro, seja, também muitas vezes, para ter o que comer ou como alimentar seus filhos.

“Essa oportunidade garantida em lei estimula a inclusão de mulheres no mercado de trabalho e quebra o ciclo de violência agravado pela dependência financeira. Ao dar chance de emprego e renda, estamos prevenindo novas ocorrências de violência e possibilitando uma vida mais digna a essas mulheres – muitas delas, mães de família com filhos pequenos e cujos pais, pobres, não têm condições de acolhê-las e às suas crianças – e aos seus dependentes”, destaca a senadora.

De acordo com o projeto, o poder público deve manter um cadastro sigiloso das vítimas de violência. A natureza da contratação precisa ser mantida em sigilo, ficando proibido qualquer tipo de discriminação no exercício das funções. O edital de licitação deve prever a reserva de vagas para todo o período de execução do contrato. Emenda acolhida por Zenaide no texto substitutivo prevê que a indisponibilidade de mão de obra com a qualificação necessária para atendimento do objeto contratual não caracteriza descumprimento da cota.

“Minha mobilização política prossegue agora junto à Câmara dos Deputados para acelerarmos essa aprovação”, reitera a parlamentar.

Zenaide relatora: comissão do Senado aprova cota de 5% em contratos com União para mulheres vítimas de violência

 

Compartilhe:

Mais notícias

Zenaide defende ciência e vacinação em homenagem aos 126 anos da Fiocruz

Senadora Zenaide Maia ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin

Zenaide defende orçamento para políticas de proteção às mulheres em encontro com Edson Fachin no STF

Do sertão do Seridó ao centro do poder nacional: conheça a trajetória de Zenaide Maia, que celebra 11 anos de Parlamento

Pensão, remédio, defesa da vida: Zenaide cobra mais orçamento para defensorias públicas