Compartilhe:

15/04/2026

Zenaide exalta arte nordestina e celebra legado de Chico Anysio

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Homenageado com uma sessão especial no Senado Federal neste mês em que completaria 95 anos, o ator e humorista Chico Anysio teve seu legado exaltado pela senadora Zenaide Maia (PSD-RN) em pronunciamento no plenário da Casa, nesta quarta-feira (15). A parlamentar celebrou a contribuição dos artistas nordestinos para a cultura brasileira.

A inventividade de Chico legou ao país uma galeria inesquecível de tipos que encarnam as dores, incoerências e mazelas da vida nacional. Seus personagens foram canais de críticas mordazes ao poder político, à hipocrisia social, ao abandono do povo mais pobre, à superficialidade da fama, ao egoísmo e à vaidade do ser humano. Chico Anysio, nascido em Maranguape, no Ceará, correu mundo antes de nós e é um farol que nos ilumina”, declarou Zenaide.

Confira a íntegra do pronunciamento da senadora:

“Senhoras e senhores senadores, todos que nos acompanham nesta sessão do Senado Federal, meus cumprimentos!

Já disse o grande escritor Euclides da Cunha, autor do livro clássico “Os Sertões”: “o sertanejo é, antes de tudo, um forte!”. Essa frase resume o espírito inquebrantável dos homens e das mulheres do Nordeste. E isso tem tudo a ver com um grande gênio das artes cênicas e do humor brasileiro: o nordestino Chico Anysio, que será homenageado, de forma muito justa, em uma sessão especial nesta Casa.

A inventividade de Chico legou ao país uma galeria inesquecível de tipos que encarnam as dores, incoerências e mazelas da vida nacional. Seus personagens foram canais de críticas mordazes ao poder político, à hipocrisia social, ao abandono do povo mais pobre, à superficialidade da fama, ao egoísmo e à vaidade do ser humano.

É por isso que uma velha máxima se reafirma atual: a arte imita a vida. Outro conhecido dito vale muito para esses dias tão conflagrados no mundo, e tão polarizados no Brasil: “faça humor, não faça guerra!”.

Como não lembrarmos de Justo Veríssimo, Professor Raimundo, Alberto Roberto, Painho, Coalhada, Bento Carneiro, Coronel Pantaleão, Azambuja, Nazareno e Bozó? Infelizmente, perpetuam-se em setores da política muitos Justos Veríssimos insensíveis à coletividade, querendo que “o pobre se exploda”.

O mestre da “Escolinha”, imortalizado com “E o salário, ó!”, deixa um alerta sempre atual sobre os baixos salários da classe trabalhadora. Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, encarna uma denúncia contundente sobre práticas odiosas que assaltam os cofres públicos, sobre a corrupção que desvirtua o cuidado com a coisa pública.

Chico Anysio viveu de 1931 a 2012 e inscreveu sua arte na eternidade afetiva que nos une como povo, na identidade nacional. O grande mestre criou, com arguta capacidade de observação de figuras da vida real, mais de 200 personagens ao longo de sua vitoriosa carreira. Seus tipos, com bordões icônicos e traços únicos, definiram o humor na televisão brasileira.

Intelectualmente elaborado, incrivelmente capaz de se comunicar com as massas, Chico Anysio se conectou de forma profunda com os sentimentos humanos, com a simplicidade do nosso povo, com a vida real dos que sofrem. Seus recursos cênicos e de caracterização se firmaram na picardia para ironizar os desmandos da elite, as desigualdades sociais, as injustiças.

Chico Anysio nunca teve medo de dizer que o rei está nu. Ridicularizou os poderosos, questionou os costumes, provocou com propósito reflexivo. Deixa saudades, deixa orgulho, deixa exemplo.

Em entrevista à jornalista Marília Gabriela, Chico, numa reflexão de profunda sensibilidade humana e imensa sabedoria, assim definiu o poder e a função da piada, da provocação, do exercício livre da crítica:

Abro aspas:

“Uma piada é a tragédia de ontem, é a desgraça que passou, a infelicidade passada. É a demonstração alegre de um momento que estamos vivendo. A piada é a coisa que minimiza o drama. A piada é importante nos países que sofrem porque ela minimiza o drama das pessoas que vivem situações péssimas. Por isso, não há humoristas em países certos, não há humorista holandês, finlandês, norueguês, sueco… não há!”.

Fecho aspas.  

Senhoras e senhores,

O poeta Ferreira Gullar, também nordestino, já disse que a arte existe porque a vida não basta. A grande escritora Clarice Lispector disse que temos direito ao grito – e entendo que o humor explicita esse direito à voz, ao protesto, à reivindicação da nossa existência e do nosso direito à dignidade.

A obra vasta de Chico Anysio ultrapassou o entretenimento e se inscreveu como marca nacional, do nosso jeito de ser e estar no mundo como cidadãos e cidadãs.

Viva o legado de Chico Anysio, que alçou o humor à estatura de um instrumento de salvação, de reconhecimento do outro, de humanidade! Rir também inspira, cura, educa e mobiliza.

Apesar de tudo que nos indigna, a vida vale a pena, e muito! Os mais de 200 personagens de Chico nos convidam, diariamente, a rir de nós mesmos, a recomeçar todo dia com um sorriso no rosto. Por trás do humor ácido e da crítica corrosiva desse mestre, há, sempre, uma declaração de amor ao povo brasileiro.

Muito obrigada!

Compartilhe:

Mais notícias

Zenaide defende ciência e vacinação em homenagem aos 126 anos da Fiocruz

Senadora Zenaide Maia ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin

Zenaide defende orçamento para políticas de proteção às mulheres em encontro com Edson Fachin no STF

Do sertão do Seridó ao centro do poder nacional: conheça a trajetória de Zenaide Maia, que celebra 11 anos de Parlamento

Pensão, remédio, defesa da vida: Zenaide cobra mais orçamento para defensorias públicas