A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) voltou a defender a importância da doação voluntária de sangue e fez um alerta sobre a situação dos hemocentros brasileiros, especialmente no Rio Grande do Norte, onde o Hemonorte tem registrado períodos de estoque crítico ao longo deste ano. Em pronunciamento no Plenário do Senado Federal, a parlamentar destacou que a necessidade de sangue é permanente e que a solidariedade dos doadores é essencial para garantir o atendimento de milhares de pacientes em todo o país.
Durante o discurso, Zenaide lembrou que os períodos de férias costumam representar um desafio adicional para os bancos de sangue. Enquanto o número de doadores diminui por causa das viagens e do recesso escolar, a demanda hospitalar permanece elevada e pode até aumentar em razão dos acidentes de trânsito, das emergências médicas e dos tratamentos que dependem de transfusões.
Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Estamos falando de cirurgias, tratamentos oncológicos, atendimentos de emergência e de milhares de pacientes que dependem diariamente desse gesto de solidariedade”, afirmou.
A senadora destacou ainda a situação enfrentada pelo Rio Grande do Norte. Ao longo de 2026, o Hemonorte realizou diversos apelos à população para reforçar os estoques de sangue, que chegaram a níveis críticos. Segundo a instituição, a redução das reservas pode comprometer procedimentos cirúrgicos, atendimentos de urgência e o tratamento de pacientes com doenças crônicas, como câncer e anemias graves. Os tipos O positivo e O negativo estão entre os mais necessários.
PEC DO PLASMA: “Sangue não é mercadoria!”
Durante o pronunciamento, Zenaide também voltou a defender o fortalecimento da hemorrede pública e reiterou sua posição contrária à PEC 10/2022, conhecida como PEC do Plasma. A proposta altera o artigo 199 da Constituição Federal para tratar das condições de coleta e processamento do plasma humano e segue aguardando votação no Plenário do Senado após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Originalmente, a PEC tratava da ampliação da participação da iniciativa privada na coleta e no processamento do plasma, mas a discussão ganhou novos contornos após alterações no texto durante a tramitação, que passaram a admitir a comercialização do plasma humano.
A parlamentar explica que assinou a proposta em sua apresentação porque o texto original tinha como objetivo fortalecer as hemorredes e ampliar a capacidade de processamento do plasma pela Hemobrás, estatal responsável pela produção de medicamentos hemoderivados para o SUS. No entanto, passou a se posicionar contra a PEC após mudanças promovidas no relatório, que abriram caminho para a comercialização do plasma humano.
Quando se abre a possibilidade de pagar pelo plasma, quem vai vender? Quem precisa do dinheiro. Quem está em situação de vulnerabilidade. E quem vai lucrar com isso? As grandes indústrias farmacêuticas, que vão transformar esse plasma em medicamentos caríssimos — sem nenhuma obrigação de devolver esses produtos ao SUS, sem nenhuma garantia de que o brasileiro que doou do próprio corpo vai ter acesso ao remédio que foi feito com ele”, alerta Zenaide.
Desde 2023, Zenaide tem sido uma das principais vozes de oposição à chamada PEC do Plasma. Em pronunciamentos no Plenário, entrevistas e debates sobre o tema, a senadora tem alertado para os riscos éticos e sociais da medida, argumentando que a remuneração pela coleta de plasma pode incentivar a exploração de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e enfraquecer o modelo brasileiro de doação voluntária de sangue.
A senadora também defende que a solução para ampliar a produção de hemoderivados não está na comercialização do plasma, mas no fortalecimento da Hemobrás e da rede pública de hemocentros. Segundo ela, o Brasil deve investir na estrutura já existente para garantir autonomia na produção de medicamentos essenciais ao SUS, sem transformar partes do corpo humano em mercadoria. Esse posicionamento é compartilhado por entidades da área da saúde, como o Conselho Nacional de Saúde, que aprovou moção de repúdio (Resolução nº 719) à proposta e alertou para possíveis impactos sobre a política nacional de sangue e hemoderivados.
A doação de sangue não é negócio. Não é mercado. É um ato de fé na humanidade. O sangue não se fabrica, não tem substituto e depende exclusivamente da solidariedade das pessoas”, ressaltou Zenaide.
A senadora encerrou sua fala fazendo um apelo para que mais brasileiros se tornem doadores regulares.
Doe sangue. Convide um amigo, um familiar, um colega de trabalho. O processo é rápido, seguro e pode significar a diferença entre a vida e a morte para alguém”, concluiu.
Assista ao pronunciamento completo da senadora Zenaide Maia no Plenário do Senado Federal: