11/03/2026

“Informação é poder”: Zenaide celebra 30 anos da TV Senado

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) celebrou os 30 anos da TV Senado em sessão especial realizada nesta quarta-feira (11), no plenário do Senado Federal. Em pronunciamento na tribuna, a parlamentar, assídua telespectadora e participante dos programas de entrevista da emissora, ressaltou a relevância da comunicação pública e da informação correta como pilares para a cidadania e a democracia brasileiras.

Confira o discurso na íntegra: 

30 ANOS DA TV SENADO

Excelentíssimos senhoras e senhores presentes, colegas e cidadãos,

Nada empodera mais um povo do que informação correta. Isso não é um clichê: é uma verdade absoluta. A jovem democracia brasileira se consolida graças à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão. As três décadas de vida da TV Senado contribuíram para edificar esses dois pilares da Constituição Federal – a nossa Carta Magna, a lei maior do Brasil que nos tirou das sombras de 21 anos de ditadura.

Eu costumo dizer que, em todo regime autoritário, a primeira coisa que o autocrata faz é fechar a boca da imprensa. E eu fico feliz de ver, ao longo de mais de 10 anos atuando no Parlamento brasileiro, os profissionais de jornais, rádios, TVs e sites trabalhando de forma livre pelos corredores do Congresso. É informação transmitida ao vivo, minuto ao minuto, checada diretamente na fonte, no tempo e na hora em que as decisões que mudam a vida de toda a sociedade estão sendo tomadas aqui dentro.

Perdi a conta de quantas entrevistas dei para este veículo que conecta e sintoniza o trabalho político com a população que representamos. Muitas vezes, celebrei a aprovação de projetos benéficos ao bem comum; em outras, me curvei ao poder e à credibilidade da TV Senado: nos corredores mesmo, recorri àqueles microfones para protestar, denunciar e lutar contra propostas absurdas que estavam em vias de aprovação.

A TV Senado confere transparência e legitimidade ao trabalho do Parlamento. Com transmissão ao vivo, à luz do dia. Isso vale muito, gente!

Sou uma fã incondicional da TV Senado. Por esta janela eletrônica nosso trabalho de parlamentar chega a todos os cantos do Rio Grande do Norte de forma gratuita. Comunicação pública é, sim, alicerce para o exercício pleno da cidadania. A sociedade tem direito de ser informada sobre o que acontece dentro do Poder Público. E é essa informação que permite criticar, sugerir, fiscalizar. Aqui se decide valor do salário mínimo, impostos cobrados, idade de aposentadoria, recursos para financiar saúde, educação e segurança pública, e muito mais.

Vivemos em uma era onde a informação não é apenas uma ferramenta; informação é poder. Mas esse poder só se traduz em democracia quando é compartilhado, traduzido e, acima de tudo, verdadeiro.

A comunicação pública enfrenta hoje um grande desafio: o dilema digital e civilizatório das fake news, o labirinto da desinformação. As fake news não são apenas mentiras; elas são venenos que paralisam o discernimento social.

Somado a isso, a Inteligência Artificial surge como uma faca de dois gumes. Se por um lado ela automatiza e escala, por outro, pode ser usada para criar realidades paralelas tão convincentes que desafiam a nossa percepção da verdade. Na comunicação pública, as ferramentas tecnológicas devem servir para aproximar o cidadão da gestão, e nunca para substituir o olhar ético e humano sobre o fato.

A voz do Senado nos pequenos povoados significa a integração política do Brasil profundo, deste imenso país continental.

Precisamos lembrar que o Brasil acontece para além das capitais. Nos municípios distantes e nos pequenos povoados, onde a internet às vezes falha, é a imagem da TV Senado que chega como o principal elo entre o poder e a vida real. A Rádio Senado também faz esse trabalho de forma brilhante e comprometida com o interesse público.

Quando um cidadão em um rincão do país liga a televisão e assiste a uma sessão parlamentar, ele está exercendo o seu direito de vigia. No entanto, há um risco silencioso: O Senado pode aprovar centenas de leis em uma única semana. Essas leis impactam o preço do pão, o acesso à saúde e o futuro das florestas. Mas uma lei que não é compreendida ou bem informada, é uma lei que não é cobrada.

A missão do jornalismo e da comunicação pública é evitar o “silêncio dos governados”. Não basta transmitir; é preciso explicar. Se a população não tiver conhecimento do que se vota nos palácios de Brasília, a democracia torna-se um monólogo de elite.

Zenaide ao lado de profissionais da TV Senado na sessão especial dos 30 anos da emissora legislativa,  criada para ampliar o acesso da população às atividades do Parlamento, com transmissões ao vivo do Plenário e das comissões, além de cobertura jornalística das atividades legislativas.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado


A comunicação pública deve ser a ponte que transforma o “juridiquês” em cidadania. É ela quem deve garantir que o agricultor, o professor do interior e o jovem da metrópole saibam exatamente quais direitos ganharam ou quais garantias estão em jogo.

O poder do conhecimento muda e salva vidas, seja nas capitais ou nos confins do Brasil.

Que a nossa tecnologia e o nosso esforço humano sirvam para iluminar a verdade. Pois o maior perigo para uma nação não é o erro de uma lei, mas a ignorância de sua existência por parte de quem deveria ser seu dono: o povo.

Excelentíssimas autoridades, senhoras e senhores,

Reafirmamos hoje o desafio de estimular e apoiar o papel da comunicação pública em um tempo de transformações sem precedentes. Vivemos o paradoxo da hiperconectividade: nunca produzimos tantos dados, mas raramente a compreensão mútua foi tão escassa. Neste cenário, é preciso reafirmar um conceito fundamental: na democracia, a informação não é apenas um bem; ela é o oxigênio da liberdade.

Parabenizo os profissionais que construíram e constroem esta exitosa trajetória de 30 anos da TV Senado. São mãos que diariamente ajudam a construir um Parlamento que dialoga com a sociedade por meio de seus canais oficiais de comunicação. São pessoas preocupadas com o dever da clareza, fundamental para fortalecer a Comunicação Pública como pilar da Democracia.

E vamos além disso quando falamos do desafio da transversalidade digital, dom consumi rápido e imediato de conteúdos em “cortes” nas diversas redes sociais, sobretudo pela juventude.

A informação hoje é compacta e fragmentada. Ela flui por uma multiplicidade de plataformas — das redes sociais aos aplicativos de mensagens, das telas dos celulares aos receptores de rádio. O cidadão consome o fato em pílulas, muitas vezes descontextualizadas pela velocidade do algoritmo.

Neste ecossistema, a Inteligência Artificial surge como uma força transformadora. Ela pode ser o motor da eficiência, mas, se desprovida de ética, torna-se a fábrica de fake news que corroem a confiança nas instituições. Nosso dever é garantir que a tecnologia sirva à verdade, e não à simulação da realidade. É por isso que nenhuma tecnologia é maior do que o ser humano. E os jornalistas do Senado são esse filtro balizador da informação correta e contextualizada devidamente, abordando, com profundidade, todos os lados dos debates em curso.

Finalizo com um adendo do Parlamento ao território, vinculando a comunicação pública com a soberania nacional. Não podemos esquecer que o Brasil é um mosaico de realidades. Enquanto discutimos o futuro digital, em milhares de municípios e pequenas comunidades do nosso interior, a TV Senado, assim como outros canais e veículos de comunicação pública, permanece como uma janela de transparência essencial.

É por meio dessa lente que o cidadão do Brasil profundo acompanha a prestação de contas do trabalho parlamentar. Entretanto, a mera transmissão não encerra o nosso dever.

Um Parlamento que aprova centenas de leis em silêncio corre o risco de se distanciar daqueles que representa.

A lei que nasce sem o conhecimento da sociedade é uma lei órfã de fiscalização.

Se a população não compreende o que é votado, ela perde a capacidade de cobrar, de sugerir e de transformar.

A informação também é instrumento de justiça. A comunicação pública deve ser o antídoto contra a exclusão. Precisamos traduzir a complexidade do processo legislativo para que ele seja acessível a todos. A prestação de contas não deve ser apenas um relatório técnico, mas um ato de respeito ao contribuinte.

Não há poder legítimo que se sustente na sombra. O poder emana do povo, mas só retorna ao povo quando este detém o conhecimento pleno dos atos de seus representantes.

Que sejamos os guardiões de uma comunicação que não apenas informa, mas que forma cidadãos. Que a nossa voz chegue com a mesma clareza às metrópoles e aos povoados mais remotos, garantindo que nenhum brasileiro seja deixado à margem da história que escrevemos todos os dias nestas casas legislativas.

TV Senado, parabéns e muito obrigada! Como brasileira, me sinto honrada pela contribuição deste veículo ao Parlamento e ao país!”

 

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