25/02/2026

“OAB dos médicos”: Zenaide cobra qualidade e fiscalização nas faculdades privadas de medicina

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Ao votar contra o projeto de lei (PL 2.294/2024) que cria uma “OAB da Medicina” como regra para estudantes recém-formados da profissão começarem a trabalhar, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) cobrou e defendeu fiscalização efetiva e constante, por parte do ministério da Educação (MEC), em relação aos cursos de medicina oferecidos por faculdades e universidades privadas no país.

A proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta quarta-feira (25) no Senado. Zenaide e outros parlamentares pretendem interpor recurso (requerimento) para que haja análise do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no Plenário principal da Casa. Se aprovado, o requerimento suspende o resultado favorável de caráter terminativo (decisão final, que envia o projeto direto à Câmara dos Deputados) da CAS.

Médica do serviço público, a senadora se posiciona num contexto em que a falta de capacitação plena de boa parte de jovens formados em medicina vem sendo fortemente criticada na sociedade e no Congresso Nacional.

“A solução para o problema de faculdades ruins não é aprovar no Congresso Nacional um exame de proficiência de final do curso – a ser aplicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), uma entidade de classe -, mas, sim, reforçar na lei os mecanismos de controle do governo federal, aperfeiçoando-se o já exitoso Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed)”, frisou Zenaide.

O Enamed é uma iniciativa do MEC que avalia os cursos de medicina, enquanto o projeto aprovado nesta quarta-feira (25) no Senado cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), a cargo do CFM. Médicos, universidades e estudantes de medicina de todo o país acompanham a polêmica discussão legislativa, na qual Zenaide teve protagonismo e aprovou audiência pública para debater a fundo a matéria.

“O que se está criando com essa proposta são duas provas com orientações diferentes, e isso vai gerar judicialização e confusão administrativa. Se o MEC já aplica essa prova, não faz sentindo aprovar uma segunda prova feita por um conselho de classe. Inclusive, o próprio MEC já está ampliando o Enamed para que seja feito no 4º ano do curso, a tempo corrigir problemas na formação dos estudantes de medicina”, assinalou a senadora.

Responsabilidade do governo

Durante a votação do projeto nesta quarta-feira (25), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, Zenaide avaliou que o Profimed retira parcialmente a responsabilidade do ministério de Educação de avaliar os cursos. Para a senadora, é necessário responsabilizar a instituição de ensino, e não punir o aluno pela oferta privada de uma graduação deficiente em relação a competências clínicas e práticas e à formação humanística.

“Sou contra tornar obrigatória a aprovação no exame de proficiência para o exercício da Medicina. Não é competência de um conselho de categoria profissional, no nosso caso o CFM, diplomar ou permitir ou não o exercício profissional a partir de uma prova. Essa é uma prerrogativa exclusiva do ministério da Educação, que já aplica um Enamed bem estruturado e apto a receber melhorias”, destacou a parlamentar.

Avaliação ao longo do curso

Ao compartilhar a posição pública da médica Ludhmila Hajjar, professora da USP (Universidade de São Paulo), Zenaide reiterou que a solução passa por uma avaliação de progresso pelo MEC, com devolutiva para o corpo discente e para a instituição, apontando os pontos de melhoria para qualificar a formação de profissionais, de forma a se garantir a competência mínima para o exercício profissional e o atendimento seguro à população.

“Depois de formado o aluno, qual diferença faria aplicar um exame? Temos é que corrigir problemas e fazer a mudança ainda quando o aluno(a) está na graduação, até por uma questão de responsabilidade pública. A medicina é um campo disciplinar muito prático, envolvendo conhecimentos teóricos, competências de comunicação, trabalho em equipe e habilidades clínicas, e o preparo para essa profissão passa pela avaliação sistêmica e progressiva do aluno durante a sua formação”, observou Zenaide.

Nesse sentido, ela defendeu uma convergência em torno do Enamed como prova única e nacional, pela qual o diploma médico não deixe dúvidas sobre competências profissionais e éticas para cuidar da vida, com base nos padrões mínimos exigidos para o exercício da profissão. Zenaide ainda alertou para o risco de exclusão social dos alunos mais pobres, que não terão condições de pagar cursinhos particulares preparatórios “que certamente muitos médicos já planejam criar para o Profimed”.

“Toda pessoa tem direito de ser atendida por um médico que seja bom profissional e tenha uma formação acadêmica correta e completa, porque estamos lidando com a vida humana, com o tratamento e a prevenção de doenças, com diagnósticos. É uma questão de cuidado com a vida e de garantir segurança à população”, sublinhou a senadora.

O que foi aprovado

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado concluiu, nesta quarta-feira (25), a votação de projeto que cria prova nacional de medicina como pré-requisito para o registro profissional. O Profimed agora será analisado na Câmara dos Deputados, salvo se pelo menos nove senadores requerem votação no Plenário principal do Senado.

  • Os recém-formados em medicina realizarão o Profimed a partir do primeiro semestre após o término do curso. Quem não for aprovado poderá atuar de forma exclusiva em atividades técnico-científicas, sem contato com pacientes, mediante autorização do Conselho Regional de Medicina (pela Inscrição de Egresso em Medicina);
  • Ficarão dispensados médicos já registrados e estudantes que comecem o curso enquanto o projeto não virar lei;
  • O Conselho Federal de Medicina (CFM), que regula a profissão de medicina, realizará o Profimed, que também avaliará habilidades clínicas e práticas;
  • De acordo com o projeto, o Enamed será realizado no quarto ano do curso. Atualmente, ocorre no quarto e no sexto ano da graduação;
  • A proposta ainda prevê plano de expansão da residência, com meta de alcançar, até 2035, ao menos 0,75 vaga de residência por médico formado; e competência exclusiva da União para autorizar e supervisionar os cursos de medicina.

(Com informações da Agência Senado)

Compartilhe:

Mais notícias

Zenaide defende ciência e vacinação em homenagem aos 126 anos da Fiocruz

Senadora Zenaide Maia ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin

Zenaide defende orçamento para políticas de proteção às mulheres em encontro com Edson Fachin no STF

Do sertão do Seridó ao centro do poder nacional: conheça a trajetória de Zenaide Maia, que celebra 11 anos de Parlamento

Pensão, remédio, defesa da vida: Zenaide cobra mais orçamento para defensorias públicas