03/12/2025

Em alerta ao país, Zenaide sobe à tribuna do Senado para defender que responsáveis vacinem crianças e idosos

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Médica infectologista, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) voltou a defender a vacinação das crianças e dos idosos no país. A parlamentar subiu à tribuna do plenário do Senado, em sessão nesta terça-feira (02), para combater informações falsas e campanhas negacionistas que circulam na internet e desmotivam adultos a imunizarem seus familiares.

“Reafirmo sempre falando em voz alta, porque hoje os ouvidos têm paredes: vacina é produto de estudos e pesquisas seriíssimos, trabalho árduo de cientistas e especialistas, no Brasil e no mundo todo, para prevenir doenças graves e mortes. O Brasil é referência mundial em vacinação, e o nosso Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas para todas as idades, garantindo que estejamos protegidos ao máximo”, destacou.

Em seu pronunciamento, Zenaide ainda celebrou o início, no mesmo dia, da distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). O primeiro lote do ministério da Saúde, com 673 mil doses, será enviado a todos os estados e ao Distrito Federal. A imunização, ofertada gratuitamente pelo SUS, é destinada a gestantes a partir da 28ª semana e tem como objetivo reduzir casos de bronquiolite em recém-nascidos.

Segundo a senadora, vacina e água tratada são as grandes responsáveis por aumentar o tempo médio de vida da humanidade:

“É fato histórico cientificamente comprovado, não é narrativa ideológica. Quando você se vacina, protege a si mesmo e a quem está ao seu redor. Não é uma questão individual, é uma questão de saúde coletiva. Trata-se, portanto, de um ato de amor e empatia, de defender a vida, de proteger a saúde, de prevenir doenças e suas sequelas graves e permanentes, de evitar a morte”.

Conforme um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet, nos últimos cerca de 50 anos, a vacinação contra 14 doenças contribuiu para reduzir as mortes infantis em 40% no mundo. Só a vacinação contra o sarampo eliminou em 60% a mortalidade infantil global.

Ainda de acordo com Zenaide, o governo do presidente Lula tem feito um esforço concentrado suprapartidário, via ministério da Saúde e ancorado na ciência, para restabelecer a confiança da população nas vacinas, bem como para reforçar as campanhas de imunização em todo o território nacional.

Confira trechos do pronunciamento oficial de Zenaide no plenário do Senado:

Venho a esta tribuna compartilhar uma boa notícia que salva vidas. O Ministério da Saúde inicia, nesta terça-feira, dia 2, a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório. O primeiro lote, com 673 mil doses, será enviado a todos os estados e ao Distrito Federal.

A imunização, ofertada gratuitamente pelo SUS, a nossa pérola que oferece saúde de graça para toda a população, é destinada a gestantes a partir da 28ª semana e tem como objetivo reduzir casos de bronquiolite em recém-nascidos.

Com a chegada das doses, estados e municípios poderão iniciar imediatamente a vacinação nos postos de saúde. O lote inicial integra a compra de 1,8 milhão de doses feita pela pasta. O vírus sincicial respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo as hospitalizações.

Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de síndrome respiratória aguda grave causados pelo VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de síndrome respiratória aguda grave no período.

E quero aqui, gente, como médica, mãe, avó, alertar toda a sociedade sobre a importância da vacinação. Vocês sabem quais as revoluções que prolongaram a vida humana? Vacina e água tratada. Isso mesmo: vacina e água tratada são as grandes responsáveis por aumentar o tempo médio de vida da humanidade. É fato histórico, cientificamente comprovado, e não é narrativa ideológica.

Por isso que, como médica infectologista, com 30 anos de trabalho no serviço público, tenho feito uma reiterada campanha em defesa da vacinação, combatendo as informações falsas. O negacionismo tem feito pais, mães e outros responsáveis deixarem de vacinar seus filhos menores de idade, o que significa cometer um verdadeiro e estarrecedor abandono de incapaz.

Gratuito, hein, gente? É um dos poucos países do mundo em que todas as vacinas são gratuitas. Segundo um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet, nos últimos cerca de 50 anos, a vacinação – contra 14 – contribuiu para reduzir as mortes infantis em 40% no mundo. Só a vacinação contra o sarampo eliminou, em 60%, a mortalidade infantil global.

O Governo atual tem feito um esforço concentrado suprapartidário, via Ministério da Saúde, e ancorado na ciência, para restabelecer a confiança da população nas vacinas, bem como para reforçar as campanhas de imunização em todo o território nacional.

Meu apelo, olho no olho, é para você, pai, mãe e responsável: vacine seus filhos! Não podemos deixar nossas crianças morrerem ou ficarem com sequelas para o resto da vida. Como médica que já viu muita coisa triste antes da vacinação, peço a vocês: não acreditem em mentiras propagadas contra a vacinação.

A Fiocruz também alertou sobre o risco representado pela queda da cobertura vacinal contra a meningite, além de mostrar, recentemente, que apenas 11% das crianças de até 5 anos haviam tomado vacina contra a covid e que outras coberturas vacinais infantis estavam abaixo da meta.

Em 1973, foi criado no Brasil o Programa Nacional de Imunizações (PNI), com os objetivos principais de organizar, implementar e avaliar as ações de imunização em todo o país. O Estado brasileiro promoveu a vigilância epidemiológica intensiva para casos suspeitos nas comunidades, capacitação de pessoal, campanhas de divulgação, entre outras ações.

Os resultados foram extremamente positivos, a começar pela redução drástica da mortalidade infantil. O Programa Nacional de Imunização é referência de saúde no mundo todo – tanto que houve conversas da Organização Mundial de Saúde com a Fiocruz e o Instituto Butantan para acelerar a produção de vacinas no Brasil, como a da dengue.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), vale lembrar, é um dos maiores compradores de vacinas do mundo. Por meio do PNI, o Governo Federal disponibiliza, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde, 48 imunobiológicos: 31 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas. Essas vacinas incluem tanto as presentes no Calendário Nacional de Vacinação quanto as indicadas para grupos em condições clínicas especiais.

O Calendário Nacional de Vacinação contempla, na rotina dos serviços, 20 vacinas, que protegem o indivíduo em todos os ciclos de vida, desde o nascimento. Entre as doenças imunopreveníveis por essas vacinas estão: poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche e outras doenças graves e, muitas vezes, fatais.

Conforme o Ministério da Saúde, a vacinação é reconhecida como uma das mais eficazes estratégias para preservar a saúde da população e fortalecer uma sociedade saudável e resistente. Além de prevenir doenças graves, a imunização contribui para reduzir a disseminação dos agentes infecciosos – os vírus – nas comunidades, protegendo aqueles que não podem ser vacinados por motivo de saúde.

Vacina não tem partido nem cor, não é de Governo, mas do Estado brasileiro, que tem obrigação de mostrar que a vacinação salva vidas. Como militante e defensora da saúde pública, reitero também a necessidade de promover canais de informação de interesse público, para combater o negacionismo e as notícias falsas que circulam na internet.

É este o sentido do nosso trabalho legislativo: a defesa da vida, investir no direito de nosso povo a um futuro saudável e seguro. Não podemos permitir o reaparecimento de algumas doenças preveníveis em território nacional e que já haviam sido extintas.

Por favor, pais, mães, avós e responsáveis, vacinem seus filhos, vacinem seus idosos. Ah, meu Deus, se todas as doenças tivessem uma vacina… E o Brasil as oferece gratuitamente; e a gente tem que ter essa defesa.

Eu digo a vocês que os médicos que se formaram nos últimos 20, 30 anos, nunca viram um sarampo. Deixamos de ver as sequelas da poliomielite, mas, com 65%, no máximo, de vacinados, nós vamos voltar a ver, sim, crianças que, quando não morrem, ficam com sequelas para o resto da vida.

Muito obrigada!”

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