Compartilhe:

19/11/2024

Zenaide destaca liderança global do Brasil presidindo o G20 e defende combate à pobreza

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Procuradora Especial da Mulher no Senado Federal, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) destacou, em manifestação na Casa, o momento estratégico de liderança mundial do Brasil como atual presidente do G20, grupo das maiores economias do mundo cujos chefes de Estado reúnem-se no Estado do Rio de Janeiro esta semana.

“Precisamos aproveitar as janelas de oportunidade políticas e legislativas para levar a História para o rumo certo, aprovando avanços legislativos e políticas públicas pelo combate às desigualdades sociais, pela equidade de gênero e pela democratização real dos espaços de poder – espaços que historicamente e estruturalmente alijaram as mulheres brasileiras, as populações negra e indígena, as pessoas com deficiência, os pobres e tantos outros grupos cruelmente minorizados”, sustentou a parlamentar.

Zenaide reforçou a “urgência civilizatória” do combate à pobreza, uma das metas do plano de trabalho do governo brasileiro à frente desta cúpula global. O aumento da participação feminina nos espaços de poder, recomendado pela declaração conjunta do bloco em evento multilateral de países-membros realizado em Brasília este mês, também foi defendido por ela, que milita em favor dessas bandeiras no Parlamento.

“O fato de o Brasil ser líder de um grande bloco de nações poderosas, ocupando atualmente a presidência do G20, fortalece essa agenda, que eu chamo de projeto de país, vislumbrando um futuro com paridade, justiça, igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Um novo mundo sem essa violência institucional que herdamos em séculos de misoginia, machismo e tradições que já foram revistas e superadas pela evolução da humanidade”, assinalou a parlamentar.

Nesse sentido, Zenaide ainda enfatizou a necessidade de pluralizar o acesso a cargos públicos e ao mercado de trabalho nas nações emergentes, unindo em escala federativa União, Estados e Municípios. Uma tarefa que, a seu ver, cabe aos agentes públicos eleitos pelo voto direto do cidadão. Para ela, a formulação legislativa dentro dos respectivos integrantes desta coalizão política e diplomática só terá efeito real, porém, mediante a garantia do repasse obrigatório e permanente de recursos orçamentários para efetivar e endossar essas políticas públicas.

“Um país rico e desenvolvido é um país que valoriza e promove a diversidade de seu povo, que supera preconceitos, que vê na pluralidade um ativo poderoso para ir para frente. Precisamos garantir a diversidade de perspectivas e vivências na construção de soluções para as demandas sociais, econômicas, ambientais, políticas. O debate democrático não exclui: compartilha contribuições para a representatividade equânime de sua população no sistema de governança pública”, salientou a senadora.

Confira mais da manifestação de Zenaide:

“Os países que compõem o G20 estão distribuídos nos cinco continentes, representam enorme diversidade cultural e linguística e concentram boa parte da riqueza e da população do planeta.

Nós, aqui presentes, temos motivos para nos orgulhar de nossas nações, que respondem por 85% do produto interno bruto mundial e 75% do comércio internacional.

Evidentemente, todos nós temos nossas vulnerabilidades, nossas questões internas que afetam cada componente do G20, e precisamos cuidar delas.

Mas também precisamos cuidar, e cuidar bem, e principalmente, dos outros 15% do PIB global e dos outros 25% do comércio internacional. Precisamos acolher quem não foi convidado para a festa, quem está na periferia do capitalismo, quem convive mais de perto com a pobreza, com a fome, com a guerra, com a doença, com a falta de perspectiva.

Há algumas décadas, a humanidade temia o extermínio por uma hecatombe nuclear. Hoje, não se pode afirmar com segurança que tal perigo tenha sido afastado definitivamente, mas existem outros desafios, mais presentes e mais urgentes, com potencial de colapsar nossa civilização.

Um deles é a radical mudança climática, que mostra sua implacável presença ano após ano, cada vez com mais força, cada vez com maior poder destrutivo.

Outra ameaça existencial à vida na Terra é a crescente desigualdade econômica, entre pessoas e entre países, e que se manifesta de inúmeras maneiras.

Manifesta-se na insegurança alimentar; na negação do acesso à educação; na dificuldade de produzir emprego e renda suficientes para todos que precisam; manifesta-se na assimetria de oportunidades entre gêneros, etnias, estratos sociais.

Alterações expressivas no meio ambiente — combinadas com a desigualdade, com a miséria e com as guerras que nunca deixaram de assolar a humanidade — produzem efeitos os mais dramáticos para a periferia global, como ondas migratórias compostas por gente desesperada à procura de um refúgio seguro, por mais humilde que seja.

Tanto em meados do século 20, quando o mundo vinha de duas guerras mundiais e vivia o pesadelo nuclear, como agora com os embates do século 21, sempre se cogitou uma governança global, com autoridade para recompor minimamente a dignidade da vida no mundo inteiro.

Essa governança só virá da união solidária entre nações, componentes ou não do G20, que possam implementar políticas públicas de alcance local e internacional no sentido de derrotar a fome, a pobreza extrema e a falta de horizonte.

Ver no Threads

É necessário, por exemplo, permitir que países muito atrasados economicamente possam acessar os meios de desenvolvimento, ainda que para eles, e somente para eles, a transição ecológica possa se dar em ritmo mais lento.

Também é essencial que, sem perder de vista a austeridade que cada país possa adotar em sua economia, gastos sociais jamais sejam reduzidos. Nações de renda média, como o Brasil, não podem se dar ao luxo de economizar nos gastos com saúde e educação, sob pena de continuarem às voltas com a eterna estagnação que os aflige.

Além disso, é fundamental, dentro de um mesmo país, superar barreiras de cor, de gênero, de origem social e tantos outros obstáculos que impedem, em um mesmo território, que pessoas sejam tratadas com equidade.

Os parlamentos do mundo inteiro podem ajudar nesse e em outros esforços: aprovando legislações mais ousadas; atuando contra resistências; e promovendo encontros como a 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares, ocorrida em julho deste ano, aqui no Brasil, em Maceió, Estado de Alagoas.

É importante salientar que o Senado brasileiro tem contribuído com inovações importantes, como a criação da Procuradoria Especial da Mulher, que tenho a honra de presidir neste momento. Com relatório já aprovado de minha autoria, avança no Congresso brasileiro uma das novas recomendações do G20. Trata-se de um projeto de lei (PL 763/2021) para instituição de uma reserva mínima de cadeiras para candidatas mulheres em cargos eletivos no Poder Legislativo, visando à adoção de mecanismos que garantam a presença feminina nos espaços decisórios políticos, como as cotas.

O projeto por mim relatado já passou na Comissão de Direitos Humanos e estabelece uma reserva para mulheres de 30% das vagas das eleições proporcionais de deputados federais, estaduais e distritais e de vereadores, além de vagas femininas proporcionais a cada renovação de dois terços do Senado.

Finalmente, gostaria de lembrar que estamos todos no mesmo barco, na mesma nave chamada Terra, e precisamos cuidar dela em todas as suas dimensões, e zelar pelas pessoas e por todas as outras formas de vida que nela habitam.

Há muito o que discutir nesta cúpula, e há muito trabalho a fazer nos dias que se seguirem ao seu encerramento.”

Zenaide relatora: recomendada pelo G20, cota para candidatas mulheres no Legislativo avança no Congresso

 

 

 

Compartilhe:

Mais notícias

Relatório de Zenaide aprovado: laboratórios públicos devem priorizar produtos nacionais  

Reforma eleitoral: Zenaide pede audiência pública e luta para barrar retirada de direitos das mulheres

Senadora Zenaide prestigia exposição pelos 100 anos de Dona Militana na Pinacoteca do RN

Indicada por Zenaide, primeira mulher trans doutora pela UnB recebe diploma Bertha Lutz