O Rio Grande do Norte sairá beneficiado pelo acordo provisório Mercosul-União Europeia, promulgado pelo Parlamento brasileiro nesta terça-feira (17) com presença da senadora Zenaide Maia (PSD-RN), que já havia dado voto favorável à medida em aprovação unânime no Senado. A relação comercial entre os países dos dois blocos econômicos terá redução gradual de tarifas de produtos, fortalecimento de negócios locais – como a fruticultura – e geração de emprego e renda.
“O estado do Rio Grande do Norte terá portas ainda mais abertas para exportar produtos para a Europa e para nossos países vizinhos que compõem o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Firmamos um passo importante para ampliar mercados, gerar empregos e fortalecer a nossa economia. O setor agrícola potiguar é um dos potenciais contemplados por esse acordo histórico, que demorou duas décadas de tratativas para sair do papel. Estamos consolidando novas oportunidades de desenvolvimento das nossas cadeias produtivas, por meio das relações internacionais, do comércio exterior”, frisou Zenaide.
Conforme dados oficiais do governo do Brasil, o acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares.
Ainda segundo a parlamentar, a infraestrutura logística do Estado litorâneo – portos, rodovias, além de aeroporto internacional – e a proximidade geográfica em relação ao continente europeu favorecem a competividade da economia potiguar no pacto bilateral dos blocos, hoje em vias de conclusão.
“O Acordo Mercosul-União Europeia é um conjunto de medidas que forma uma das maiores zonas de comércio do mundo, que mexe com a economia global, integrando, envolvendo e promovendo a aliança econômica dos muitos países envolvidos nessa grande rede de compra e venda de mercadorias e produtos. Ressaltamos o compromisso multilateral de que esse avanço caminhe junto com a proteção da nossa produção, respeito ao meio ambiente e desenvolvimento com justiça social”, destacou Zenaide.
Além disso, a parlamentar salientou que a redução gradativa das tarifas de importação cobradas pelos países tende a favorecer exportadores norte-rio-grandenses – e brasileiros, em geral – de produtos primários e agroindustriais: “Haverá incentivo às exportações e novas oportunidades para setores como a indústria e o agronegócio. Construímos um gesto simbólico e forte de união política e paz entre nações, num momento preocupante em que só se fala em guerras”.
O que o RN exporta
De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do governo potiguar, a possível conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia representa oportunidade estratégica relevante, especialmente para a fruticultura potiguar, que já detém forte inserção nas nações europeias.
“A redução de barreiras tarifárias e a melhoria das condições de acesso tendem a ampliar a competitividade dos produtos do estado e estimular o crescimento das exportações”, destacou a pasta.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
No campo das importações do Estado, predominam bens industriais, energéticos e insumos produtivos. Ainda conforme a Secretaria estadual, o Rio Grande do Norte iniciou 2026 com desempenho favorável no comércio exterior, registrando crescimento nas transações internacionais e saldo positivo na balança comercial já em janeiro. No período, o estado exportou US$ 77,8 milhões e importou US$ 56,2 milhões, resultando em um saldo de US$ 21,6 milhões, indicador que reforça a competitividade da economia potiguar no mercado global.
A pauta exportadora foi puxada por setores estratégicos como a mineração, a fruticultura e o segmento energético. Produtos como bulhão dourado, melões, melancias, mamões e gasóleo concentraram parcela relevante do valor exportado, evidenciando a vocação produtiva do Rio Grande do Norte e sua capacidade de atender a diferentes mercados internacionais.
No ano passado, as exportações do Rio Grande do Norte para o Mercosul registraram crescimento de 13%, alcançando US$ 7,0 milhões. Segundo o governo do Estado, tecidos de algodão e melões frescos se mantiveram como os principais itens comercializados, refletindo a força do setor têxtil e da fruticultura na pauta exportadora potiguar.
Com o acordo Mercosul-União Europeia, as autoridades do governo brasileiro trabalham com a perspectiva de possibilidade de preços mais competitivos e de maior margem de negociação, propiciados pela redução das barreiras protecionistas do mercado europeu e pela menor carga tarifária na importação a ser paga pelos empreendedores brasileiros. A União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio, em 2024, de mais de US$ 95 bilhões.
